Atuação da farmacovigilância hospitalar no manejo da síndrome de Stevens-Johnson: um relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.30968/rbfhss.2024.151.1090Resumo
A síndrome de Stevens-Johnson é uma condição que pode ser considerada rara, porém de gravidade severa, podendo ser induzida por medicamentos, sendo os antimicrobianos destacados como principais causadores. Apresentamos um caso de uma pessoa idosa que desenvolveu a síndrome, com sobreposição para Necrólise Epidérmica Tóxica, provavelmente devido ao uso do fármaco ciprofloxacino. Durante sua hospitalização, o caso foi gerenciado pelo setor de farmacovigilância (I. Sistematização de evidências científicas em saúde; II. Realização de investigação aprofundada do caso vivenciado, confrontando os dados com as informações científicas; III. Estudo da causalidade da reação adversa; IV. Desenvolvimento de um protocolo de práticas a serem seguidas, capacitação da equipe e acompanhamento das etapas; V. Organização da notificação e encaminhamento para as agências reguladoras responsáveis) e por equipe multidisciplinar. Foi realizado tratamento com base em evidências de saúde, no entanto, houve refratariedade às medidas clínicas, e a paciente progrediu com agravamento da descamação, infecção, parada cardíaca e óbito após o protocolo de ressuscitação. Além dos fatores mencionados anteriormente, adicionam-se outros aspectos que contribuíram para a gravidade do episódio: presença de multimorbidade, idade avançada, busca tardia por assistência à saúde e continuação do uso do medicamento que induziu a reação, mesmo após os sintomas iniciais. A ANVISA categorizou o evento como grave e reportável para o Uppsala Monitoring Centre. O Serviço de farmacovigilância hospitalar atuou em conjunto com a equipe multidisciplinar, contribuiu para o pronto e adequado manejo do evento, gerenciamento de risco e educação em saúde. Este estudo oferece conteúdo para aprendizado multiprofissional, estratégias para a segurança e cuidado centrado na pessoa.
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